top of page

Sal sem Sol


Próximo das finas areias douradas das praias algarvias, na zona de Olhão e Tavira, extrai-se minério da escuridão das profundezas da serra, seja Verão, ou Inverno. Aqui explora-se um sal castanho e rochoso com uma concentração dez vezes superior ao vulgar sal de cozinha, fino e branco, geralmente obtido por evaporação nas salinas marinhas. Não serve para consumo humano. É utilizado nas indústrias química e da alimentação animal ou para combater o gelo nas vias rodoviárias.

Enquanto, na segunda metade do século XX, se construíam elegantes hotéis com extensos e verdejantes campos de golfe por todo o litoral algarvio, na cidade de Loulé mineravam-se alamedas e ruas no subsolo.

Tudo foi despoletado por um período de seca extrema que durava há vários anos e fez os lavradores afundarem ainda mais os seus poços na busca de água. Mas, quanto mais fundo furavam, pior água encontravam. Era salgada. Consultados geólogos sobre o fenómeno e realizadas prospeções, achou-se então o couto mineiro de sal gema de Loulé. Este fora formado há mais de 230 milhões de anos, a duzentos e trinta metros de profundidade, abaixo da linha de água do mar da costa algarvia.

Com esse diagnóstico, os donos da quinta abandonaram a agricultura e começou a exploração mineira. Os primeiros mineiros chegaram em 1964. Vieram das minas de São Domingos, no Alentejo, nas vésperas do seu encerramento e abandono.

Depois de centenas de camaradas trabalhando em turnos durante décadas; hoje, são mais os visitantes que as escassas dezenas de trabalhadores que mantém em funcionamento a mina.

Numa parte dos largos e altos túneis rasgados no subsolo estão agora exposições de arte,

fazem-se visitas guiadas, doentes de asma com prescrição médica fazem tratamentos,

realizam-se concertos, e turistas, académicos e excursões escolares viajam ao centro da terra no barrocal Algarvio.

Actualmente, o sal gema de Loulé destina-se sobretudo ao consumo nacional e uma parte é exportada para o país vizinho. Os custos do transporte há muito que inviabilizaram a exportação para outras paragens.

Toneladas de sal e centenas de mineiros depois, com uma atmosfera cavernosa e um ar seco e puro, já se imaginaram projectos para outras actividades como um sanatório, um extreme hotel temático, um SPA e um espaço para arquivo histórico permanente.

A empresa mineira Tech Salt SA sucede actualmente a uma longa história de proprietários, em que se inclui a CUF. Mas tudo começou com o saudável empresário de Salir, Manuel Pereira Júnior, que em 1965 obteve a concessão mineira por tempo ilimitado.

Ao redor da mina, dum lado já chegaram as novas urbanizações da cidade de Loulé e, do outro lado, ainda se avistam as encostas áridas da serra algarvia onde a água continua cada vez mais escassa.


inté ...



125 visualizações2 comentários

Posts recentes

Ver tudo